O que fazer em Cunha (SP): roteiro de 3 dias na cidade dos campos de lavanda

Cunha (SP) é uma cidadezinha charmosa localizada entre Paraty (RJ) e Guaratinguetá (SP), muito conhecida pelos campos de lavanda e pelas cerâmicas.
A cidade está em uma região privilegiada, na Serra da Bocaina, o que proporciona uma diversidade ecológica incrível, com cachoeiras e trilhas surpreendentes. Ela também tem aquele friozinho característico das montanhas e um clima romântico ótimo para casais de todas as idades.
Além das atrações principais, Cunha também tem muita história. Ela tem ligação com a Revolução de 32 e faz parte da Estrada Real. Era por onde os tropeiros passavam carregando o ouro de Minas Gerais até o porto de Paraty. Inclusive, é possível carimbar o seu passaporte da Estrada Real na cidade.
Seja para uma viagem romântica ou para desbravar a natureza, preparamos o guia definitivo com o que fazer em Cunha, onde comer e um roteiro completinho.
O que fazer em Cunha
Campos de lavanda

Os belos campos de lavanda de Cunha certamente devem estar no seu roteiro. Como a cidade fica em uma região montanhosa, com clima ameno e noites frias, ela é considerada um ótimo lugar para esse tipo de plantação.
O Lavandário

O Lavandário é o principal campo de lavanda de Cunha. São mais de 40 mil pés podados de forma rotativa, o que permite ver as lavandas todas as épocas do ano. O grande destaque é a vista privilegiada para as montanhas da Serra da Mantiqueira. Assistir o pôr do sol de lá é uma experiência incrível.
A dica é chegar no final da tarde para passear pelos campos de lavanda, tomar o famoso sorvete de lavanda e visitar a lojinha com produtos feitos da planta. A entrada do O Lavandário custa R$ 20 (ago/26).
Contemplário

Se o Lavandário ganha pela vista, o Contemplário se destaca pela paz e pelo bolso, já que a entrada é gratuita. O espaço é menor, mas super aconchegante. É possível caminhar no meio das plantações e contemplar a vista em espaços de descanso. O local também tem uma lojinha com produtos de lavanda e um café.
Pedra da Macela

A Pedra da Macela é um destino muito legal para quem gosta de trilha e belas paisagens. Com 1.840 metros de altitude, ela tem uma vista privilegiada da baía de Paraty e Angra dos Reis. Quando fomos, o dia estava nublado e as nuvens proporcionaram um visual diferente, mas também muito bonito. O engraçado é que estava sol em Cunha, as nuvens estavam só em cima do litoral.
A trilha para a Pedra da Macela tem 2 km, mas não pense que ela é fácil. Quase todo o trajeto é feito em uma subida bem íngreme. Apenas no finalzinho você desce por alguns metros para chegar ao mirante. Apesar disso, a trilha pode ser feita por crianças e até por idosos, desde que estejam bem fisicamente. A subida é feita por uma estradinha de concreto e só no final tem um trecho de terra batida.
O acesso ao começo da trilha da Pedra da Macela é por uma estrada de terra de 7 km com algumas partes bem ruins. Lá no início tem um estacionamento improvisado, com banheiros e um monitor que controla o acesso dos carros.
Canto das Cachoeiras

O Canto das Cachoeiras é um espaço com uma ótima estrutura que adoramos conhecer. Ele tem uma área ampla com cachoeiras, áreas de descanso, pequenas trilhas, redário e lanchonete com uma ótima gastronomia.
Na cachoeira principal tem até um poço com água bem calma (e gelada!), onde é possível curtir um banho de rio. O parque é muito bem conservado e todas as suas áreas pensadas para que os visitantes aproveitem o máximo da natureza.
É um lugar perfeito para idosos e crianças, já que o acesso à cachoeira principal, com várias cadeiras e quioques, é bem simples. São só dois minutos de caminhada.
A entrada custa R$ 20 (ago/26). Crianças de 8 a 12 anos, idosos +60 e moradores do Vale do Paraíba pagam meia-entrada. Idosos acima de 80 anos não pagam.
Cachoeira do Pimenta

A Cachoeira do Pimenta é uma das mais famosas de Cunha e seu acesso é gratuito. O caminho até ela é longo (11 km em estrada de terra), mas em compensação a estrada tem paisagens lindas das montanhas.
A Cachoeira do Pimenta chama atenção pela força da água descendo pelo paredão de pedra, mas tem outro ponto onde é possível mergulhar ou relaxar nas águas geladas de Cunha.
O local tem uma estrutura bem fraquinha, com um bar e banheiros em péssimas condições. É um lugar que vale a visita pela cachoeira, mas não indicamos ficar muito tempo lá. Só tiramos algumas fotos e fizemos uma pequena trilha que vai até a parte superior da queda d’água.
Cachoeira do Desterro

Foi um verdadeiro achado em Cunha. A Cachoeira do Desterro fica próxima da Cachoeira do Pimenta, mas tem o acesso mais difícil. A estradinha que leva até ela é bem íngreme e estreita. Fomos até lá acompanhando o Google Maps e descobrimos o porquê ela é pouco visitada.
É um lugar bem isolado, que pode ser acessado por uma trilha tranquila de 5 minutos. Não é possível entrar na cachoeira, só contemplar do alto de um paredão de pedra. Mas antes da queda d’água tem uma piscina natural rasinha para se refrescar.
Ateliês de cerâmica

Cunha é referência no Brasil em cerâmica artesanal. A cidade tem muitos artistas renomados e ateliês onde você pode ver como é produção das peças e até fazer uma oficina. Visitamos no centro da cidade a Casa do Artesão, um ateliê com peças de mais de 60 artesões da região, e o Ateliê Augusto Campos e Leí Galvão, com peças lindíssimas de primeira qualidade. Só vendo de perto para entender a razão de Cunha ser tão famosa por conta das cerâmicas.
Fazenda Aracatu

A Fazenda Aracatu é aquele ponto de parada para você comprar produtos artesanais antes de ir embora. É um empório com decoração rústica e vários produtos regionais da roça, como cafés, doces, licores, pães, carnes e muitos queijos. Além das compras, prove os famosos sorvetes produzidos com leite de vaca da raça Jersey. São deliciosos!
Mercado Municipal de Cunha

O Mercado Municipal de Cunha é o lugar perfeito para encontrar doces, produtos artesanais e artesanatos de produtores locais com um precinho camarada. Apesar de pequeno, ele tem uma grande variedade de produtos e delícias para levar para casa.
Parque Estadual da Serra do Mar
Cunha é uma das cidades que abriga um núcleo do Parque Estadual da Serra do Mar. O Núcleo Cunha tem trilhas fáceis e difíceis com belas cachoeiras no meio da Mata Atlântica. Mas chegar lá é uma aventura e tanto. São 19 km e cerca de 40 minutos de estrada de terra até a portaria do parque.
A entrada do Núcleo Cunha custa R$ 19 (ago/26) e o ingresso pode ser comprado pelo site da Fundação Florestal.
Onde comer em Cunha
Restaurante do Gnomo

Lugar que indicamos de olhos fechados! O Restaurante do Gnomo foi um dos melhores lugares que já comemos. O restaurante é comandado pelo Gnomo, um senhor super simpático e apaixonado pela cozinha. Ele está sempre aberto para prosear, explicar sobre os pratos e apresentar sua cozinha. É um amor em pessoa.
O restaurante trabalha com produtos regionais, valorizando a culinária e os produtores locais. Nossa indicação é pedir a Truta à moda do Gnomo, um filé de truta enrolado com muçarela de búfala, purê de banana prata e arroz negro ao vinho branco. O preço é um pouco salgado, mas vale cada centavo.
Quer saber mais do Restaurante do Gnomo? Confira esse post com nossa experiência completa no local.
Cervejaria Caminho do Ouro

A Cervejaria Caminho do Ouro é uma das paradas imperdíveis em Cunha. Ela fica às margens da estrada Cunha-Paraty, a mais de 1.000 metros de altitude, e tem uma uma vista linda para a região.
O cardápio é bem variado, com opções de petiscos, carnes, pratos, hamburgueres e, claro, as cervejas artesanais. Indicamos pedir a régua de degustação para experimentar um pouquinho de cada.
O ambiente é bem amplo, com muitas mesas, e se destaca na rodovia por remeter a um casarão antigo. O nome do restaurante também tem esse elemento histórico, fazendo referência ao antigo caminho que levava o ouro de Minas Gerais até Paraty, que passava por ali.
A Cervejaria Caminho do Ouro fica em um complexo gastronômico junto com o Chocolates Imperatriz e a Estação Dom Pedro, uma charcutaria dentro de uma réplica de vagão de trem.
Doceria da Cidinha

A Doceria da Cidinha é um lugar de outro mundo. São várias opções de doces da melhor qualidade para se deliciar. Tem aquele gosto de quem faz com amor, sabe? Queríamos dar a dica de um doce, mas seria injusto, já que todos que provamos nas três vezes que fomos lá estavam muito bons. A doceria fica ao lado da Igreja Matriz e é bem conhecida na cidade.
A Doceria da Cidinha é um dos pontos onde você pode carimbar o passaporte da Estrada Real, outro motivo para parar lá e experimentar um doce.
Moara Café

Na Estrada Cunha-Paraty, você encontra vários cafés coloniais pelo caminho. Escolhemos entrar no Moara Café e nos surpreendemos.
O café tem um lindo jardim na área externa, onde você pode sentar e esperar sua comida. É um lugar colorido e bem aconchegante. Paramos ali para tomar um café e comer um lanche antes de ir ao Lavandário. Gostamos bastante e queríamos ficar até por mais tempo.
Restaurante Melhor Hora

É o famoso bom e barato. Ou melhor, ótimo e barato! O restaurante Melhor Hora é um self-service com aquela típica comida caseira. É um restaurante pequeno, bem próximo da Igreja Matriz e super em conta para economizar na viagem.
Restaurante Kallas da Serra

Desde 1994, o Kallas da Serra é um dos pioneiros na Estrada Cunha-Paraty. O restaurante foca na comida caseira e regional e tem como destaque o porco na lata, prato onde a carne é conservada na própria banha do porco. É uma excelente opção de restaurante para almoçar depois da trilha da Pedra da Macela.
Wolkenburg Cervejaria

A Wolkenburg Cervejaria fica no caminho da Pedra da Macela e é ponto certo para quem está voltando da trilha. O cardápio tem basicamente quatro tipos de cervejas artesanais e salsinhas alemãs. Mas tem coisa melhor que uma cervejinha e petisco para quem está voltando de uma trilha? O espaço também tem um deck bem bonito com vista para as árvores.
Se você gosta de uma boa cerveja, recomendamos o texto do blog Entre Mochilas e Malinhas sobre as melhores cervejarias artesanais de Cunha.
Roteiro de 3 dias em Cunha
Dia 1
- Almoço no restaurante Melhor Hora
- Voltinha no centro da cidade, incluindo a Igreja Matriz e Mercado Municipal
- Doceria da Cidinha
- Visita a um ateliê de cerâmica
- Jantar na cidade
Dia 2
- Pedra da Macela
- Almoço no Restaurante Kallas da Serra ou Wolkenburg Cervejaria
- Cachoeira do Pimenta
- Moara Café
- O Lavandário
- Jantar no Restaurante do Gnomo
Dia 3
- Canto das Cachoeiras
- Almoço na Cervejaria Caminho do Ouro
- Fazenda Aracatu
Onde se hospedar em Cunha

Achar o melhor lugar para se hospedar em Cunha depende muito do seu roteiro. Acreditamos que o melhor ponto é passando a cidade, em pousadas próximas da Estrada Cunha-Paraty.
Uma boa opção é a Pousada Sotaque Mineiro. Ela fica no meio do caminho de várias atrações e fomos muito bem atendidos. Os chalés são bem charmosos e confortáveis e o café da manhã excelente! A pousada também tem uma piscina e vários cachorrinhos simpáticos. A Pousada Sotaque Mineiro fica a 2 km da Estrada Cunha-Paraty e a 15 km do centro da cidade.
Já se você prefere uma hospedagem com melhor custo-benefício, a Pousada Vale dos Sonhos nos surpreendeu pela estrutura e ótimo atendimento. Tem quartos são grandes, piscina, áreas de descanso e fica do ladinho do Restaurante do Gnomo. O café da manhã é bem gostoso, com muitas opções de pães e geleias maravilhosas.
Confira aqui ou veja no mapa abaixo todas as opções de de hospedagem em Cunha.
Quando ir para Cunha

Cunha é um destino para o ano todo. Em todas as estações é possível aproveitar a cidade. No verão, as gélidas cachoeiras ficam mais acessíveis. Já no inverno, a cidade fica com aquele clima charmoso de frio e montanha. Os pés de lavandas também brotam durante todo o ano, então não tem erro.
Como a maioria das atrações são em céu aberto, o segrego é conferir se não vai chover no dia que você está planejando a viagem.
Como chegar em Cunha

Cunha (SP) fica no alto da Serra de Paraty, a 230 km de São Paulo (SP) e a 300 km do Rio de Janeiro (RJ). O acesso principal é pela Rodovia Presidente Dutra. Na altura de Guaratinguetá (SP), é preciso pegar a saída do km 65 em direção a Cunha e seguir por 48 km pela Rodovia Paulo Virgínio (SP-171). Também é possível chegar pelo Litoral, subindo a Serra pela Estrada Cunha-Paraty.
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